Tipos de Investimento – Parte I

Olá pessoal, tudo bem? Bem-vindos a mais um post do Vitamina $!

Seguindo nossa sequência de posts sobre planejamento financeiro, vamos verificar nossa situação atual:

  • Já sabemos o Capital Inicial para o investimento, a partir do Mapeamento Financeiro e separação do Colchão de emergência;
  • Já sabemos o valor dos nossos Aportes Mensais (ou Periódicos), dado pela diferença entre as Receitas (fontes de renda) e as Despesas (valor dado pelo Orçamento Pessoal).
  • Já sabemos o Período, pois como falei em posts anteriores, um investimento deve ter um objetivo. E com o objetivo definido, podemos usar um valor razoável para o período de investimento;
  • A Inflação é complicada de se prever. De acordo com a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a inflação tende a cair este ano, mas a taxa de caimento, se mantida, não fará com que a inflação atinja o nível de 4,5%, mas sim que fique em torno de 6%. Logo, um valor razoável para a inflação seria 5,5% a 6%, ficando o planejamento sujeito a alterações em um futuro mais próximo.

Está faltando algo nesta lista?
Sim! O último tópico é a Taxa de Rentabilidade do investimento. É o assunto que tem mais “sub-assuntos”, portanto preferi deixar por último. Nos próximos artigos, incluindo este, falarei bastante sobre tal Taxa, sobre os diferentes Perfis de Investidor e suas respectivas opções de investimento.

1. Juros Compostos

Aproveitando que o assunto hoje é Taxa de Rentabilidade, falarei um pouco sobre os juros compostos. Para demonstrar o impacto dos juros compostos em seus investimentos, vamos a um exemplo:

Consideremos:

  • Investimento inicial de R$ 0;
  • Aportes mensais de R$ 300,00;
  • Período de 35 anos;
  • Inflação a 5,5%.

Teremos no fim do prazo, de acordo com nossa planilha, a quantia de R$ 629.993,35. Isso considerando uma taxa de 12% ao ano (a.a.), o que equivale a aproximadamente 0,95% ao mês (a.m.). Uma carteira de investimentos que tem como rentabilidade consistente esta taxa mensal, descontando-se a inflação, é uma carteira com bom retorno.

Outro detalhe importante aí é com relação ao aporte mensal. Puxa, só R$ 300,00 e eu terei R$ 630 mil ao final de 35 anos? Exato. Ok, são 35 anos… Mas mesmo assim é incrível o poder dos juros compostos.

A fim de comparação, um investimento com as mesmas características, mas com uma Taxa de 11% a.a. (0,87% a.m., aprox.) terá um retorno de R$ 555 mil. Ainda, se considerarmos uma Taxa de 10% a.a. (0,79% a.m., aprox.), o retorno cai para R$ 491 mil, ou seja, queda de 22% com relação aos R$ 630 mil originais.

Isso mostra o tamanho do impacto da variação da Taxa no resultado final do investimento.
E o melhor: isso nos convence que devemos sempre buscar melhores formas de investir nosso dinheiro! E é isso que pretendo passar aqui no Vitamina $!

2. Buscando formas de investir melhor o dinheiro

Há duas grandes categorias de investimentos: Renda Fixa (RF) e Renda Variável (RV). A RF ainda pode ser pré ou pós-fixada. As devidas definições se encontram logo abaixo:

  • Renda Fixa:forma de investimento onde a remuneração, ou sua forma de cálculo, é previamente definida no momento da aplicação.
    • Pré-fixada: quando se sabe a rentabilidade do investimento de antemão. Ex.: um contrato de CDB oferecido pelo banco que pague 10% a.a.
    • Pós-fixada: quando a rentabilidade está vinculada ao desempenho de algum índice, que pode variar ao longo do tempo. Ex.: uma aplicação no Tesouro Nacional (NTN-B), que paga uma determinada taxa, mais a inflação medida no ano pelo IPC-A.
  • Renda Variável: forma de investimento onde o investidor não sabe previamente qual será a rentabilidade da aplicação. Ex.: ações de uma determinada empresa.

Dependendo de seu perfil de investidor (Conservador, Moderado ou Agressivo) você escolherá uma carteira de investimentos que mais se adequa a tal perfil. Por exemplo, se você é conservador, tenderá a escolher uma maior porcentagem em RF. O importante é entender que há pessoas que são mais tolerantes ao risco e outras não e escolher seu perfil de forma correta.

A RF é mais voltada para quem quer investir com segurança e não quer acordar sabendo que seus investimentos estão gerando prejuízo. Há pouca diferença de desempenho entre as modalidades, mas sempre se lembre do exemplo que citei sobre uma pequena mudança na Taxa. Por isso, é, na maioria das vezes, mais vantajoso investirmos em um CDB ou no Tesouro Direto do que investirmos apenas em Poupança. Exemplos de investimento nessa categoria: Poupança, Títulos Públicos (Tesouro Nacional), CDB, Debêntures, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Fundos de Renda Fixa, entre outros.

Já a RV se ajusta melhor às necessidades de quem tem maior apetite ao risco e busca assim, maiores rentabilidades. Na RF é necessária uma participação mais ativa do investidor, pois em um determinado ano, pode-se obter retornos de 30%, 50%, mas em outro, podem ocorrer retornos negativos (prejuízo), como -20%, -50%, -80%. Uma excelente forma de visualização da volatilidade do índice Ibovespa, por exemplo, pode ser encontrado no site da Enfoque (http://www.enfoque.com.br/poster/ibovespa/view_ibovespa_enfoque.aspx), como na imagem abaixo. Ainda há a informação dos eventos importantes que ocorreram em cada ano.

 

Evolução do Ibovespa

Evolução do Ibovespa

 

Exemplos de investimento nessa categoria: Ações, Derivativos (opções de ações, contratos futuros etc.), Imóveis, Fundos de Investimento Imobiliário (FII), Ouro, Câmbio (Dólar, Euro e outras moedas), Fundos de Renda Variável (multimercados, de Hedge etc.), entre outros.

Aqui no Vitamina $, pretendo falar sobre os investimentos mais importantes, muito provavelmente 2 (ou 3) itens por semana. A ideia é:

  • Descrever o investimento;
  • Mostrar o objetivo da aplicação;
  • Falar sobre a rentabilidade de cada um nos últimos anos;
  • Quanto se deve pagar de Imposto de Renda (IR);
  • E como investir em cada modalidade.

Uma observação importante: nem todos os investimentos que falarei aqui são praticados por mim, logo, se houver algum detalhe que vocês conheçam melhor que eu, por favor, sintam-se livres para me corrigir ou para sugerir novas informações!

Uma observação importante (parte 2): o intuito do Vitamina $ é apenas informar e trocar informações sobre as diferentes formas de investimento. O objetivo aqui não é dar dicas de onde investir, mas sim mostrar-lhes cada uma das opções, pois cada um de vocês deve tomar as próprias decisões.

3. Os Investimentos de hoje

Sem mais teorias, vamos à parte prática de hoje, que caberá a cada um realizar: conhecer melhor os tipos de investimentos. Hoje irei abordar dois investimentos bem conhecidos pelos brasileiros: Poupança e CDBs.

3.1. Poupança

A Poupança é, sem sombra de dúvida, o investimento mais conhecido dos brasileiros, talvez pela simples forma que possui e pela facilidade do investimento.

Seu objetivo é a captação de recursos para o banco, que os investe de forma determinada pelo Banco Central do Brasil, sendo a maioria de tais recursos direcionada ao SFH (Sistema Financeiro da Habitação) ou seja, o financiamento imobiliário.

Sua rentabilidade é sempre 0,5% a.m., mais a TR (Taxa Referencial) na “data de aniversário” da caderneta, que não passa muito de 0,1%. Isso significa que a cada depósito, é criada uma data-base para aquela quantia e, no mês seguinte, a poupança valoriza os 0,5% + TR daquele determinado dia. Isso também implica que, se você retirar a quantia antes da data de aniversário, perde a rentabilidade daquele mês.

Nos últimos anos, a rentabilidade da poupança tem sido aproximadamente 7% a.a. Esse valor é muito baixo, pois a rentabilidade real do investimento, ou seja, descontada a inflação, resulta em apenas 1% a 3% a.a.

As grandes vantagens da Poupança são: não há incidência de IR e é muito simples investir. A maioria dos bancos permite investimentos a partir de qualquer valor (R$ 1, por exemplo) e, na maioria das vezes que abrimos uma conta bancária, é complementarmente criada uma poupança para os rendimentos. Outra vantagem importante é que a Poupança é garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que preserva até R$ 70 mil de seu investimento, caso a instituição quebre.

3.2. Certificados de Depósito Bancário (CDBs)

Os CDBs também são investimentos conhecidos por muitos brasileiros, pois também apresenta certa facilidade de investimento. Acredito que muitos já foram perguntados por seus gerentes de bancos se não estavam interessados em tal aplicação.

Seu objetivo é a emissão de títulos representativos de depósitos a prazo, emitidos por bancos comerciais, de investimento ou de desenvolvimento, para que tais bancos realizem operações de empréstimos e financiamentos. A taxa paga pode pré-fixada ou pós-fixada, podendo ser então atrelada à variação percentual de um dos índices: TR, CDI, IGP-DI ou IGP-M. Em suma: o banco toma um empréstimo de um cliente pagando 12% a.a. e o empresta a quase 100% a.a. Justo, não?

Há um prazo mínimo para a aplicação, que pode ser de 30, 60 ou 90 dias e há uma data de vencimento, que varia de banco para banco (5 anos, por exemplo). A partir do prazo mínimo, os resgates podem ser realizados a qualquer momento, mas a rentabilidade estará sujeita à maior parcela do IR.

As diversas modalidades oferecem diferentes rentabilidades, tanto pré quando pós-fixadas. Algo que pode influenciar nesse ponto é a quantia de dinheiro a ser investida – normalmente quem investe uma maior soma, consegue rentabilidades maiores, por vezes mais de 100% do CDI (que normalmente acompanha a taxa básica de juros do governo, a Selic).

Uma das desvantagens é a incidência de IR sobre os rendimentos. Está sublinhado pois algumas pessoas imaginam que o IR vai tirar 22% do valor total do investimento, o que é um equívoco. Exemplo: se eu aplicar R$ 1000,00 e obtiver R$ 200,00 de lucro, o IR incidirá sobre os R$ 200,00 apenas. A tabela das alíquotas (regressivas) se encontra abaixo:

 

Alíquotas de IR no CDB

Alíquotas de IR no CDB

 

Assim como a Poupança, os CDB é garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Uma lista dos ativos protegidos por tal fundo se encontra em: http://www.bcb.gov.br/?FAQFGC.

Ufa! Quanta informação!
Bom, por hoje é só. Apesar de parecer muita informação, não é. E elas se tornarão mais naturais quando vocês começarem a agir, ou seja, investir. Portanto, mãos à obra. Leiam bastante sobre as modalidades e decidam seus investimentos.

Semana que vem tem mais. Uma dica sobre um dos assuntos da próxima semana: Tesouro!
Boa semana!

Post por Igor Ramalho.

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Sobre Igor Ramalho

Mestrando em Inteligência Computacional, interessado em Investimentos, estudante e entusiasta de Finanças Pessoais.

Publicado em março 15, 2012, em Independência Financeira. Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. O blog tá muito legal Igor, ótimo post!

  2. Show seu blog!!! Estamos muito orgulhosas de vc!!!

  1. Pingback: Tipos de Investimento – Parte II « Vitamina $ – Finanças Pessoais

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