Experimentos com a Planilha de Planejamento Financeiro

Olá a todos, bem-vindos a mais um post do Vitamina $!
Hoje, dando continuidade ao nosso Planejamento Financeiro, tão comentado nos últimos artigos, vamos falar um pouco sobre os pré-requisitos da planilha de Planejamento Financeiro, como obtê-los e sua influência sobre o resultado final da aplicação.

Para quem deseja relembrar o que conversamos na semana passada, acessem:
https://vitaminasfinancas.wordpress.com/2012/03/01/apresentacao-da-planilha-de-planejamento-financeiro/

Mas antes de entrar nos detalhes dos pré-requisitos, gostaria de perguntar a vocês: tiveram dificuldade para mexer na planilha? Chegaram a pensar em algum objetivo de curto, médio ou longo prazo para realizar o planejamento?

Lembre-se que todo investimento deve ter um objetivo, seja ele ter renda para a aposentadoria, comprar um carro, comprar uma casa, bancar uma festa de casamento, pagar a escola/faculdade dos filhos, entre outros. Portanto, escolham bem seu objetivo antes de colocar o plano em prática!

1. Influência dos pré-requisitos

Conforme citado anteriormente, podemos observar certos pré-requisitos que devemos preencher na planilha de Planejamento, que são:

  • Capital Inicial
  • Aportes
  • Taxa da Aplicação
  • Período da Aplicação
  • Inflação

Vou falar sobre a influência de cada um desses itens, além de explicar melhor como obtê-los.

1.1. Influência do Capital Inicial

O capital inicial é uma parte importante do investimento, sendo mais impactante em investimentos de curto prazo. Por exemplo, se você planeja adquirir um carro é preferencial que já tenha pelo menos uma parte do valor do carro, pois provavelmente não haverá tempo para os juros compostos se tornarem a maior porcentagem do rendimento. Então quanto maior o Capital Inicial, maior o crescimento da rentabilidade nos períodos iniciais.

Influência do Capital Inicial

Influência do Capital Inicial

Como podemos observar na imagem acima, em um planejamento de 5 anos, variamos o Capital Inicial entre R$1.000,00 e R$10.000,00 e percebemos que o ganho com juros foi bem maior da Opção 2.

Sabemos que nem todos tem um Capital Inicial grande para investir, mas o importante é começar. Portanto, não desanime se seu Capital Inicial é baixo – seus aportes mensais podem compensar o investimento inicial baixo.
Uma observação importante: com um capital inicial baixo, é necessário prestar muita atenção nos custos atrelados aos seus investimentos. Por exemplo, não vale a pena comprar R$100,00 em ações se você já perde R$10,00 devido à corretagem (há planos mais baratos e mais caros), ou seja, já começa o investimento com 10% de prejuízo. E para recuperar o valor, deve-se esperar uma valorização da ação para cobrir: gasto de entrada + gasto de saída + lucro esperado.

Portanto, com um capital inicial baixo, é melhor investir em alternativas menos custosas, que não cobrem taxas ou cobrem uma taxa pequena de corretagem ou carregamento.

1.2. Influência dos aportes mensais e da taxa de aplicação

Os aportes mensais (ou periódicos, dependendo da sua fonte de renda) são altamente influentes no resultado do nosso planejamento. Eles são substancialmente importantes no início do plano, pois representam boa parte do crescimento do capital.

Já a taxa de aplicação, apesar de também ser importante durante todo o processo, demonstra melhor seus efeitos a partir de algum tempo de aplicação, mais especificamente quando os juros rendem mais que o valor dos aportes mensais, conforme vemos na imagem abaixo:

Influência dos Aportes e da Taxa de Aplicação

Influência dos Aportes e da Taxa de Aplicação

1.3. Influência do período da aplicação

Um dos pontos mais importantes do planejamento é o tempo que nosso dinheiro ficará empregado em nos gerar juros, sem podermos sacá-lo. Para se ter noção do impacto deste, note a tabela abaixo:

Influência do Período de Aplicação

Influência do Período de Aplicação

E a lógica é a mesma: quanto mais tempo o dinheiro estiver trabalhando por nós, mais ele renderá sem nossa “ajuda”, ou seja, os aportes mensais. E cada vez mais aumentando o patrimônio, demonstrando a grande capacidade dos juros compostos. A frase já virou clichê, mas é sempre bom citá-la:

“Compound interest is the most powerful force in the universe”
(“Juros compostos são a força mais poderosa no universo”)
– Albert Einstein

1.4. Influência da inflação

O que é a inflação?
Inflação é o aumento generalizado dos preços dos produtos em um país ou região, devido ao superaquecimento da economia do local.

No que isso me influencia?
Bom, como todos os produtos que consumimos estão cada vez mais caros, nosso dinheiro cada vez mais vai perdendo o poder de compra. Com isso, nossas despesas aumentam.
Mas o mais importante nesse caso é que o dinheiro que hoje pensamos ser suficiente para nossa aposentadoria, amanhã não será mais, pois seu poder de compra foi reduzido.

Na imagem abaixo, verificamos o impacto da Inflação no nosso investimento de 30 anos:

Influência da Inflação

Influência da Inflação

Podemos notar que de R$ 1.062.024,43 que tínhamos como objetivo com uma inflação média igual a 4,5% ao ano, passamos para R$ 848.941,36, uma grande diferença no montante final.

Observando os tópicos vistos, devemos levar em conta as seguintes considerações:

  • É necessária muita disciplina para se manter uma quantia de dinheiro por 20, 30 ou 40 anos. Portanto, pense bem antes de fechar seu plano para não colocar um período irreal, ou colocar uma quantia que muito provavelmente você irá retirar em algum tempo.
  • Da mesma forma, é muito complicado mantermos uma boa taxa (descontada a inflação) de nossos investimentos. A economia apresenta ciclos, por vezes passamos por crises como a recentemente vista em 2008. Para mantermos a taxa média de rentabilidade, devemos nos especializar em obter boas taxas e não termos “excesso de autoconfiança” que vamos sempre cumprí-la.
  • O patamar da inflação pode se alterar, logo, tente sempre arriscar valores maiores de inflação, apesar da meta do Banco Central ser em torno de 4,5% e 5,5%.

Podemos “brincar” à vontade com nossa planilha para verificar as diferentes influência dos dados de entrada que inserimos, de forma que cheguemos a um valor ideal para nós.

2. Mapeamento Financeiro

A parte prática a ser abordada hoje é sobre o Mapeamento Financeiro. Para determinarmos o Capital Inicial do nosso investimento e para organizarmos nossa alocação de dinheiro em cada investimento, necessitamos de realizar o Mapeamento Financeiro.

E no que consiste o mapeamento? Em simplesmente identificar onde está cada “parte” do seu patrimônio! De preferência, vamos considerar o patrimônio líquido, pois é difícil contar com o valor de um imóvel, por exemplo, devido a possível demora de sua venda. Então se deve:

  • Realizar uma contabilidade sobre os totais que você possui em:
    • Dinheiro em espécie (carteira);
    • Conta corrente do banco;
    • Investimentos de Renda Fixa: poupança, CDB, cotas de fundos de Renda Fixa;
    • Investimentos de Renda Variável: ações, cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FII), cotas de fundos de Renda Variável;
  • A partir desse total, separar uma parte para o Colchão Financeiro;
  • Atualizar o valor do Colchão à medida que suas despesas aumentarem.

Com a prévia realização do Orçamento Pessoal, é garantido que se tenha os 2 primeiros itens: “Dinheiro em espécie (carteira)” e “Conta corrente do banco”. Para os outros investimentos, um simples extrato do banco, da corretora ou da instituição financeira em que está o investimento é suficiente para a contabilidade.

É imprescindível termos o Colchão Financeiro, que é uma reserva de dinheiro facilmente resgatável (com liquidez) para os momentos de crise. Normalmente, baseamos o Colchão no valor de nossas despesas, ou seja, podemos ter uma reserva financeira de 2, 3 ou 6 meses do total de nossas despesas, por exemplo. Isso nos garantirá manter o padrão de vida enquanto estamos sofrendo a falta momentânea de dinheiro.

O conceito de Colchão Financeiro é de suma importância para uma evolução saudável de suas finanças. Por que? Porque é muito raro haver casos em que uma pessoa nunca tenha tido um período difícil, de crise, onde os gastos vão aumentando e o dinheiro vai sumindo. Volta e meia nos deparamos com casos em que pessoas tem que bancar alguma despesa médica, algum gasto extra de um parente ou filho ou mesmo passam por uma fase ruim do mercado, ficando sem emprego.

Vale salientar que para os mais jovens, é mais fácil recuperar o emprego, se esforçar para obter fontes de renda alternativas, então seu Colchão não necessita ser tão amplo. Um Colchão de 2 meses pode ser suficiente, enquanto ele busca outra colocação. À medida que a idade avança, o colchão deve aumentar, inclusive pelo risco de gastos médicos mais altos e aumento no custo do plano de saúde.

E onde guardar a reserva financeira? Eu pessoalmente utilizo a poupança, por sua liquidez e segurança, onde com apenas uma transação (saque ou transferência), temos o dinheiro disponível em espécie ou na conta corrente. A segurança vem do fato que a poupança é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante até R$70.000,00 caso a instituição financeira quebre. Além disso, não há incidência de Imposto de Renda.

Fica então como seu exercício dessa semana a realização do Mapeamento Financeiro, para que semana que vem possamos dar prosseguimento à construção do Planejamento Financeiro.
Dúvidas? Comentem!
Boa semana!

 

P.S.: gostaria de deixar aqui meus parabéns às mulheres pelo Dia Internacional da Mulher! Continuem sendo assim, superimportantes para nós homens, mesmo com TPM!
=)

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Sobre Igor Ramalho

Mestrando em Inteligência Computacional, interessado em Investimentos, estudante e entusiasta de Finanças Pessoais.

Publicado em março 8, 2012, em Independência Financeira. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Fala Igor!
    Como sempre um ótimo post!

    Comecei a “brincar” com a planilha que você disponibilizou no último post.
    Por sinal, ela é muito funcional e muito simples de usar. Show de bola!

    Mais uma vez parabéns pelo blog, cara! Está muito bom!
    Vou continuar acompanhando!

    Forte Abraço!

    • Grande Roberto!

      A planilha é aquela que mostrei no curso de Finanças Pessoais, lembra?

      Ela é excelente pra testarmos as mais diversas possibilidades. E como ela tem diversas opções “fora do padrão” como Inflação, Aumento dos Aportes etc., se torna uma ferramenta robusta para nosso planejamento.

      Obrigado pela audiência! =)
      Abraço!

  2. Fala Igor!! Muito bom o post, tava olhando os outros sobre a planilha de financiamento e dei uma BOA atualizada na minha!! Mt bom msm. Brigada. 🙂

  3. Muito bom o post. A planilha é muito útil e fácil .

    Parabéns ae mais uma vez…

    Abraçao

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